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A Geração Z, nascida entre meados dos anos 90 e 2000, tem sido um grupo notoriamente difícil de reter no ambiente de trabalho moderno. Uma pesquisa recente da Randstad com profissionais da Geração Z mostrou que o tempo médio dessa geração em um emprego é de apenas 1,1 anos. Eles não têm medo de fazer mudanças laterais se isso permitir priorizar equilíbrio e autonomia; o avanço tradicional e linear na carreira é menos popular entre os Z.

A tecnologia desempenha um papel importante na atitude da Geração Z em relação ao trabalho. Gerações anteriores construíram a tecnologia dos locais de trabalho que a Geração Z agora navega e ocupa. Mas a Geração Z cresceu nesse novo mundo digitalizado e, consequentemente, possui comportamentos distintos das gerações anteriores, como os millennials (nascidos nos anos 80 e meados dos 90), que puderam comparar um mundo relativamente mais analógico com este altamente digital.

A Geração Z usa ferramentas digitais não apenas para socializar, mas também para resolver problemas de forma eficiente no trabalho. A pesquisa da Randstad de 2025 menciona que 75% da Geração Z usam IA para desenvolver suas habilidades, o que é significativamente mais do que qualquer outra geração. Essa exposição à tecnologia digital de ritmo acelerado faz com que a Geração Z esteja acostumada a receber feedback constante. O crescimento das habilidades e da carreira pode estar motivando-os a buscar novas oportunidades mais rápido do que as gerações anteriores.

A tecnologia não é a única coisa que faz a Geração Z trocar de função tão rapidamente. Pressões econômicas, como inflação e dívidas estudantis, influenciam as decisões dessa geração em um mundo cada vez mais caro. E a pandemia, junto com recentes turbulências econômicas e políticas, abriram os olhos da Geração Z. É possível que esses eventos tenham lembrado a Geração Z da importância do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e das experiências no mundo real, e do papel que o mundo analógico desempenha para evitar o burnout.

É importante destacar que organizações contábeis podem oferecer à Geração Z um contraponto direto ao caos na carreira. Estabilidade (um plano de carreira com metas claras e alcançáveis), segurança (constância e conforto nos relacionamentos) e propósito (trabalhar em uma profissão que serve ao interesse público) são benefícios de uma carreira na contabilidade que podem e devem ser enfatizados pelas organizações contábeis profissionais.

Para a Geração Z, sair de um emprego não é um fracasso. É uma estratégia para explorar alternativas que podem oferecer melhores perspectivas para manter a saúde mental, além de equilibrar a vida pessoal e profissional. Em um mundo profissional que é frequentemente híbrido, a Geração Z valoriza um equilíbrio entre experiências virtuais e presenciais.

Esta geração não quer viver apenas para o trabalho como as gerações anteriores, mas para algo mais do que isso. 86% da Geração Z destacam a necessidade de mentoria e orientação no trabalho, evidenciando a prioridade que dão aos relacionamentos pessoais e à experiência prática. E aí está uma grande oportunidade para as organizações contábeis ao redor do mundo: abraçar a chance de formar e desenvolver os melhores talentos, que, em alguns anos, dirigirão nossos destinos.

Ao reconhecer o valor desse momento oportuno, entidades contábeis em todo o mundo também poderiam promover uma coordenação eficiente para modernizar os currículos dos cursos de ciências contábeis, com o objetivo de acompanhar a transformação social. Isso representaria uma mudança significativa na formação dos futuros profissionais, substituindo um modelo centrado em conteúdo por uma abordagem baseada no desenvolvimento de habilidades.

Esse novo currículo poderia ser estruturado para atender às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico e tecnológico, guiado por princípios de sustentabilidade e governança. Além de fortalecer o conhecimento técnico alinhado com padrões profissionais internacionais, as diretrizes poderiam incluir temas como transformação digital, ESG, gestão de riscos e tomada de decisão estratégica, preparando os estudantes para atuar de maneira mais integrada e alinhada às necessidades da sociedade e das organizações. Um dos principais avanços de um novo modelo poderia ser a valorização das soft skills, consideradas essenciais para a prática da contabilidade contemporânea.

Todas essas habilidades complementariam o treinamento técnico, permitindo que os profissionais atuem de maneira mais colaborativa, transformadora e adaptável em ambientes cada vez mais complexos. Como todos, a Geração Z valoriza a liderança ética e quer fazer parte de ambientes de trabalho onde confiam na liderança e se sentem à vontade para serem eles mesmos. Mais do que apenas uma atualização de currículo, isso seria uma evolução significativa da profissão, posicionando os futuros contadores como protagonistas na construção de um futuro ainda mais inovador, ético e próspero.

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Maria Clara Burgarim
Maria Clara Bugarim

General Comptroller

Maria Clara Bugarim is the General Comptroller of the State of Alagoas in Brazil and the former President of the Conselho Federal de Contabilidade. She holds three degrees (in Accounting,  Administration, and Law) and two specializations (in Auditing and Administration in Human Resources.) She also has a master’s in Controllership and Accounting from the University of São Paulo, and has a PhD in Engineering and Knowledge Management from the Federal University of Santa Catarina. In addition to her impressive educational background, she has held leadership positions in government, academic and trade bodies. Often, her leadership roles have been in positions never before occupied by women.

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Francisco A.M. Sant'Anna
Francisco A.M. Sant'Anna

Francisco Sant'Anna became IFAC Board member in November 2022, nominated by the Institute of Independent Auditors of Brazil and the Federal Council of Accountants of Brazil.

Mr. Sant'Anna is the Chairman of the Board of IBRACON. He is a retired audit partner of Deloitte Brazil. He is also a past president of IBRACON, a Board member of Deloitte Brazil, and the Regulatory Leader and Public Policy Leader of Deloitte Brazil.

Mr. Sant'Anna has a degree in accounting.